Entry: Serviço de utilidade pública... Monday, March 27, 2006



... para pequenas coisas da vida.

 

Há alguns anos, eu e algumas pessoas próximas, como o Rafael, nos sentimos frustrados por, de uma hora para outra, não existir mais requeijão no supermercado. Requeijão de verdade, aquele com gosto característico.

De repente, como os papéis higiênicos que passaram a ter rolos de 30 metros ou o Nescau que reduziu para 400g, o requeijão se transformou em algo genérico como "pasta láctea", "especialidade láctea à base de requeijão".

 

Para mim, deveria estar escrito "pasta branca, cremosa e insossa". Senti-me tão ultrajada quanto é permitido numa situação dessas, de pequenas coisas.

A piores traições são essas que surgem de repente e sem nenhuma explicação. Por que tinham feito isso? Nem passávamos por uma crise de produtores de leite no país.

 

Com o passar do tempo, me acostumei com a mudança, mas naturalmente acabei mudando meus hábitos, dando preferência para a maionese e a margarina. Não tínhamos o que fazer. Era um complô da grande indústria. E não valia a pena interditar a av. Paulista por causa disso.

 

Minha vida seguia tranqüilamente até esta manhã, quando experimentei uma nova marca de requeijão, que está no mercado há alguns meses.

Passei o produto na torrada sem grandes pretensões e, na primeira mordida, tudo mudou. Lembrei no mesmo instante da minha infância, de como esperava a compra do mês para que meus pais comprassem um ou dois vidros de requeijão (eram caros para nossos padrões na época) ou ficava feliz quando alguma tia nos servia um belo café da tarde.

 

Sem pedir licença, o "verdadeiro requeijão", como está no rótulo do produto, voltou para minha vida. Levemente amarelinho, com um toque salgado, saboroso e de consistência firme, ele voltou.

Não, não estou recebendo nada por isso, mas preciso dividir isso com vocês: a marca é Elege. Posso, com esse humilde texto, devolver a alegria do café da manhã para a vida de alguém.

 

É claro que, ainda não me conformei com o fato dos copos de requeijão terem mudado para aqueles potinhos de plástico que se dizem úteis. A gente junta uns três para guardar alguma coisa na geladeira e joga o resto fora, enquanto os copos de vidro eram uma tradição. Como me habituar a precisar ir ao supermercado comprar copos? Há gerações isso não era necessário! Mas acho que isso é uma discussão para outro post. ;-)

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